Crônica do Dia : Big Brother expõe militância excludente e propõe um jogo sem apelação a qualquer bandeira

Crônica do Dia : Big Brother expõe militância excludente e propõe um jogo sem apelação a qualquer bandeira

Diante de um país que por 388 anos escravizou, fustigou e diminuiu os negros, fica claro que é quase impossível haver racismo reverso, afinal nestes quase 133 anos de abolição faz de conta da escravatura, ainda há paradigmas a serem quebrados, espaços a serem conquistados, contudo isso não dá o direito de qualquer pessoa preta diminuir o valor de quem tem pele caucasiana com o único objetivo de levantar uma bandeira e conquistar votos. O Brasil é um país miscigenado e querer causar uma segregação em uma nação que é formada por matizes europeias, indígenas e africanas torna-se no mínimo incoerente, tal qual aquele que não gosta de pretos.

Em um país que tem índices educacionais baixíssimos, desemprego batendo à porta de vários lares, é de uma infantilidade sem tamanho alguém segregar de forma tão voraz e chula, em uma casa vigiada 24 horas por milhões de pessoas. Em um país que não há divisões entre brancos e pretos nas Igrejas, não há bairros de brancos ou pretos, em um país que todos os dias, gente de toda cor, de todas as matizes religiosas se cruzam nas ruas, nos pontos de ônibus, convivem no trabalho a pauta deveria ser, a busca pela erradicação do pensamento e das ações racistas, o fim da ignorância, contudo, há uma militância infantil e discursos enfadonhos tanto quanto o programa o é, por parte de pessoas que buscam tão somente a autopromoção.

A Pauta precisa ser discutida cá fora, na Câmara Federal, no Senado, nas casas legislativas do país, mas com um viés educativo, resolutivo, e não apenas midiático, afinal o garoto loiro muitas vezes sofre bullying, a menina gorda também, quem é de descendência asiática é motivo de chacota e brincadeiras de mal gosto, mas quem os defende? ou eles tem que se auto defender? precisamos acima de qualquer coisa, aprendermos e praticarmos a solidariedade, tornando-nos de fato não apenas humanos, mas humanizados.

Quantos João Alberto pagarão com a vida? Quantos negros favelados continuarão sendo “confundidos”? Isso precisa ter um ponto final, sim, por outro lado essa é uma guerra que jamais venceremos estando separados, afinal, pois da mesma forma que existem pessoas de pele clara que não gostam de pardos e pretos, há sim pretos que excluem, então o erro é o mesmo, isso é senso de justiça. Elisa Samúdio era branca e foi brutalmente assassinada, ela está esquecida? Isabela Nardoni foi esquecida? Não nos esqueçamos de jovens, adultos, crianças, homens, mulheres, do gueto, da mansão, enfim, são todos irmãos, vidas negras importam, vidas brancas importam, vidas indígenas importam, vidas asiáticas importam. O ser humano me importa!

Por Clayton Luz

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