Quem errou no Farol da Barra? Será que os erros não vêm de longe?

Quem errou no Farol da Barra? Será que os erros não vêm de longe?

Não foram apenas tiros, não foram apenas gritos, não foi apenas um surto, foi bem mais que um susto, estamos falando de vidas, de vidas que estão servindo. Até quando a sociedade continuará encarando o policial como um super herói, ou como alguém que tem que ser forte? Um policial é acima de tudo, um ser humano, com necessidades como diversos trabalhadores, diversos servidores públicos que estão clamando, e que os governos fazem ouvidos de mercador a um clamor que muitas vezes grita calado.

O fato ocorrido em Salvador na tarde-noite deste domingo (28), colocou colegas de profissão em confronto, porém as lutas de ambos são as mesmas, luta por melhoria salarial, luta por melhores condições de trabalho, luta por vacina, luta por melhor suporte em saúde mental, são pais e mães de família que não podem estender a farda no varal com medo de serem mortos, são homens e mulheres que não sabem se voltarão para casa, a luta é por respeito, e esse grito hoje ecoou de forma terrível no Farol da Barra.

Não, nós não vamos mostrar este confronto entre colegas que tem o mesmo propósito, quem atirou primeiro está doente, quem atirou depois, o fez por legítima defesa. Há alguns anos as associações em defesa dos servidores públicos em segurança pública e sindicatos tem exposto necessidades que vão além dos recebimentos mensais. E são apenas os policiais? NÂO!

São os professores que estão sendo pressionados, de muito antes da pandemia, com salas lotadas, planejamentos que são feitos para agradar prefeitos e governadores, os docentes sofrem com depressão, crises de ansiedade e síndrome de burnout, mas quem os houve? E os profissionais de saúde que agonizam com o sofrimento daqueles que necessitam de algum tipo de tratamento? E a segurança de motoristas e cobradores de ônibus? E a falta de respeito com os garis?

Chega de enxergarmos semelhantes com um jargão cheio de hipocrisia, de que eles são empregados do povo, de que somos nós que pagamos seus salários, já passou da hora de enxergarmos a cada um como gente, pessoas que abdicaram de suas famílias para servir às nossas famílias, exigimos tanto e oferecemos tão pouco, tão pouco em respeito e carinho. Está na hora de sermos humanos.

Em respeitos aos Policiais Militares do Estado da Bahia não mostraremos as cenas lamentáveis ocorridas hoje na capital baiana.

INFORMA SERTÃO/ Clayton Luz.
Foto: Clube Ponto 40

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