A cidade que temos e a cidade que queremos

A cidade que temos e a cidade que queremos

O título acima é um repeteco, pois em Setembro de 2015 escrevi um artigo com o mesmo título ao extinto site Diário da Chapada. À época a motivação daquele texto era baseado em reuniões que eu participava juntamente com diversos amigos que tinham por objetivo, discutir o futuro da cidade de Jacobina sob a perspectiva do desenvolvimento a partir de um modelo de gestão embasado em uma espécie de conselho, dali nasceu o grupo Empreender Mais idealizado por Paulo Henrique Martins, hoje secretário municipal do planejamento na cidade do ouro, e posteriormente nascia o Conselho Municipal de Desenvolvimento, ainda na gestão do ex-prefeito Rui Macedo. Se há 06 anos a motivação era um contraponto aos pensamentos paleolíticos a respeito da concessão de uma área para a Ages implantar sua cidade universitária em Jacobina, o que nos move a dissertar hoje é a percepção do que avançamos ou não, e do futuro que nos espera.


Estádio José Rocha pode dar lugar a grande empreendimento e cidade ganhar uma Arena Esportiva

A grande discussão da cidade desde a última quinta-feira, 05, é a possibilidade da construção de uma arena esportiva, e o estopim foi aceso a partir da fala do prefeito Tiago Dias sobre a possibilidade desta nova praça esportiva, e a necessidade de desafetar o atual estádio. Sinceramente não quero e não vou me ater a nenhum jogo político-partidário, pois isso chega a ser nefasto e asqueroso, sendo que as pautas da cidade carecem de serem discutidas do ponto de vista técnico, do olhar sob o prisma de modelos de gestão e outros instrumentos administrativos que a cidade precisa evoluir.


Implantação da Faculdade Ages foi motivo de imbróglio político em 2015

“A Cidade que temos e a cidade que queremos” é um título homônimo ao movimento popular estimulado por diversos setores da cidade de Belo Horizonte, com o intuito de pensar sobre o desenvolvimento da capital mineira, o que faz entender que é preciso os múltiplos segmentos locais terem a possibilidade de discutir Jacobina. Por conhecer de perto e ter amizade há mais de três décadas com o atual secretário Paulo Henrique Martins, não esperava dele outra posição com o PPA, Plano Plurianual que não fosse participativo e de forma pública, o parabenizo por juntamente com sua equipe estar desbravando a pauta com as pessoas da sede e do interior, isso independe de quem esteja no poder, pois o poder emana do povo. Antes mesmo de aprofundar sobre a cidade que queremos, a que temos, e o que mudou de Setembro de 2015 para cá, opino de forma desnuda do ponto de vista partidário que não creio na venda do Estádio José Rocha, ainda que hajam divergências no meu pensamento quanto ao termo utilizado, não presumo que o gestor municipal tenha tido a intenção de negociar comercialmente um bem público, creio até que não era o momento oportuno para abordagem da pauta, uma vez que nenhum documento fora enviado à Câmara Municipal, então o que temos visto até aqui é futrica e ilação.


Avenida Centenário importante vetor de expansão

De 2015 para cá Jacobina ganhou inúmeros empreendimentos comerciais, houve a consolidação da TEN em que vereadores de oposição à época foram contra a doação de área para construção, e estes mesmos, hoje aplaudem, tal qual os mesmos que num primeiro momento foram contra a doação de 60 tarefas de terra para a Ages, a exemplo do então vereador Tiago Dias que só votou favorável após conhecer o empreendimento matriz da universidade no município de Paripiranga, e hoje a universidade mantém parcerias profícuas com o município, tanto na atenção básica à saúde, como na média e alta complexidade, sem contar os inúmeros empreendimentos no setor privado também na área de saúde.


Torres Eólicas do Nordeste gera cerca de 350 empregos, empresa enfrentou oposição política para ter área de terra doada pelo município

O município urge pela concepção de um novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano para que possamos estabelecer normas públicas e a iniciativa privada possa estabelecer metas, portanto, o chamamento não pode ser meramente sobre um estádio de futebol, eles são diversos, pois é mister discutir os vetores de crescimento e expansão urbana. Pensar sobre um pólo de desenvolvimento industrial vai além de ruas com galpões, o impacto social e econômico é gigantesco. É necessário colocar um debate com os filhos da terra que colocam seus nomes à disposição do pleito de 2022, que juntamente com seus candidatos ao governo do estado assumam compromissos com a construção do mercado produtor, com a ampliação e finalização do saneamento básico da cidade, com aportes e aumento de repasses na saúde pública para que haja mais investimentos em alta complexidade, sendo que tais discussões não podem ficar limitadas ao ambiente político, de sorte que as entidades precisam se impor de forma objetiva e participativa, sem a morosidade de vastos documentos, pois é bem melhor menos pontos colocados e precisão no que deva ser feito.


Centro da Cidade – Região de maior movimentação da cidade conta com ruas estreitas e congestionamento no trânsito

A região central da cidade está sufocada, observem que o Banco Santander que teve sua agência inaugurada recentemente, não saiu do centro da cidade, mas afastou-se da “província” da Praça Rio Branco, vejam como as diversas clínicas estão em regiões próximas, contudo, colocando distância ao frenesi. A região do Estádio Municipal José Rocha e do Centro de Abastecimento não têm mais para onde crescer e não podemos confundir historicidade com pensamento provinciano e arcaico, carecemos de saber ouvir o outro e de nos colocar à disposição de inovações. Inevitavelmente a cidade crescerá pelas Avenidas Centenário e Nossa Senhora da Conceição em direção à avenida Raimundo Gordiano Cedraz e Avenida Universitária, há um campo promissor para o setor imobiliário e corporativo na BA 131 sentido Miguel Calmon. Pare, pense, ande e veja, bairros como Peru e Caeira não têm mais como crescer, a avenida Raimundo Xavier de Menezes (Paulo Souto) consolidou-se e já carecemos de um novo viés ligando as regiões norte-sul da cidade, e por falar nisso, passou da hora de termos um plano de zoneamento, que pode muito bem ser estabelecido em um novo PDDU, bem como o pensamento smart city, sustentabilidade, mobilidade, a partir do pressuposto da inovação, ciência e tecnologia.


Arena Cajueiro em Feira de Santana construída no antigo Clube de Campo Cajueiro – Jacobina pode ganhar Arena semelhante.

Agora senhoras e senhores, para que tais avanços aconteçam é melhor deixarmos as bandeiras partidárias e ideológicas no fundo do baú e requerer às mesmas na hora certa, pois de 2015 para cá crescemos pouco com relação à outras cidades de mesmo porte no país, embora tenhamos restabelecido números significativos na geração de emprego com carteira assinada em 2017, avanços no IDEB em 2018, melhoria na gestão em saúde entre 2015-2019, salientamos a necessidade de melhoria em IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, além de avanços na melhoria da qualidade de vida, lembramos que em virtude da pandemia estabelecida no mundo desde março de 2020, os indicadores estatísticos para os municípios de todo Brasil estão em stand by, e com a possibilidade de um novo censo em 2022 poderemos encarar realidades positivas ou negativas. Enquanto Jacobina com 140 anos de elevação à categoria de cidade discute de forma infantil a possibilidade ou não de uma área de entretenimento esportivo, a cidade de Maringá no Paraná discute a cidade para 2047, ano em que aquele município completará 100 anos, ou seja eles estão 26 anos à nossa frente em planejamento e gestão. Já passou da hora de todos baixarem as “armas”, pegarem papel e caneta e “queimar” neurônios por uma cidade melhor, tirar as vestimentas vermelhas, verdes, amarelas, azuis, e juntos, poder público, inciativa privada, entidades e população, construirmos a Jacobina que queremos. Se queremos um novo estádio ou não, cabe à população tal decisão, sobretudo auscultar desportistas, torcedores, os clubes amadores e o profissional, pois uma coisa é certa, o desenvolvimento traz ceticismo, contraria o pensamento conservador, traz rupturas culturais, mas também traz consigo avanços em que todos são beneficiados.

INFORMA SERTÃO/ Clayton Luz

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