A Panificadora Avenida se foi, não se despediu e deixou um rastro de saudade

A Panificadora Avenida se foi, não se despediu e deixou um rastro de saudade

O desenvolvimento é um bonde desenfreado que precisamos pegar na próxima estação, e deixarmos para trás um passado com sabor de quero mais.

Desde a tarde da última segunda-feira (29/11) a cidade do ouro recebeu a notícia surpreendente do fim das atividades da Panificadora Avenida, e na noite de 30 de novembro o atestado da venda de um dos prédios mais simbólicos de nossa terra, por meio das redes sociais. A Padaria de Seu Minininho, era assim que eu ouvia na minha tenra idade, lá eu adorava sentar nos bancos altos e rodar de um lado para o outro, e daquele velhinho vou guardar para sempre na memória o olhar profundo e sereno , que com o passar dos anos ficou convalecido e veio a fazer sua viagem para o plano espiritual.

De forma singela a Padaria de Seu Minininho, virou a Panificadora de Álvaro, filho que herdou o tino de comerciante do seu pai, e tal qual continuou a nos permitir um simples e delicioso café da manhã, a bem da verdade não sei se o objetivo era tomarmos café ou rever amigos e colocarmos a “fofoca” da cidade em dia.

Vou recordar com muita saudade as minhas manhãs de 1993 a 1999, quando eu estudava no Colégio Comercial de Jacobina, hoje C.A.X.O., quando o saudoso Otto já nem me perguntava o que eu queria e preparava um cuscuz com ovo e requeijão, mais uma média de café com leite e anotava na conta do meu pai, ou então na volta do colégio um pão de queijo e suco. Guardarei na memória as muitas vezes que eu ia comprar pão de forma pra fazer misto quente, os lavadores de carro que Álvaro matava a fome, o “Mudinho” do Paraíso (figura certa de encontramos por lá). Era ali que víamos uma família trabalhar de forma tão digna e passando seu ofício de pai para filho (Seu Minininho – in memorian, Álvaro, Vilma, Michelle, Júnior, Danilo, Otto – in memorian), era ali que logo cedinho assistíamos a resenha esportiva na TV, Era ali o marco das faixas festivas ou promocionais da cidade, era ali o ponto de referência para os encontros no dia 7 de Setembro, enfim, tantas memórias, tantas histórias, que agora ficarão para trás, pois o bonde chamado desenvolvimento chegou.

Aos novos proprietários, desejo sorte, que Deus abençoe os seus novos negócios e que a Jacobina do futuro seja presenteada com este novo tempo. A padaria de Álvaro, de Seu Minininho, a Panificadora Avenida foi um símbolo de uma Jacobina trabalhadora, de gente que acordava cedo pra labuta, mas também símbolo de amizade, fraternidade, como tantos outros lugares que já não temos a exemplo do Bar e Loja de Lelinho, o Bar de Maninho, a Barraca de Dona Cravo e Seu Crispim, A Lápis de Ouro, a Papelaria Brandão, a Lanchonete Alvorada … Ê Bonde Velho do desenvolvimento, você é tão necessário, mas deixa em nós uma saudade…

INFORMA SERTÃO/ Clayton Luz

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